Jesus quer nos Incendiar
- Alberto Carlos Macedo
- 30 de jan.
- 5 min de leitura
Atualizado: 1 de fev.

João Batista traz uma declaração no evangelho de Lucas que, para mim, é extremamente importante:
“Disse João a todos: Eu, na verdade, vos batizo com água, mas vem o que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de desatar as correias das sandálias; Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo.” (Lucas 3:16)
Muitos olham para esse texto e, até mesmo em função do que é dito na sequência, afirmam que o fogo aqui se refere a juízo. Contudo, não encontro base sólida para essa interpretação, uma vez que Jesus veio não para destruir os homens, mas para salvá-los.
“Pois o Filho do Homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las.” (Lucas 9:56)
Quando falamos do fogo como purificação, isso faz total sentido. O fogo do Espírito vem acompanhado de Seu poder e produz purificação. Ele nos purifica.
Não há como alguém ser batizado com o Espírito Santo e com fogo e continuar o mesmo. A presença viva do Espírito gera transformação, queimando impurezas e conduzindo a uma vida santa, na qual os comportamentos passam a refletir essa santidade.
Creia: não são as obras que santificam; é a santidade recebida que produz obras santas.
Observe esta passagem:
“Esforçai-vos para viver em paz com todas as pessoas e em santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor.” (Hebreus 12:14 – KJA)
Por muitos anos, esse texto foi mal interpretado. Contudo, a revelação se expande dia após dia. O texto não está dizendo que devemos nos esforçar para nos tornar santos a fim de ver o Senhor, mas que, por meio de uma vida santa — fruto da presença d’Ele em nós — as pessoas verão Deus revelado através de nossas vidas.
Veja como essa verdade se amplia na Mirror Study Bible:
“Busque a paz com todas as pessoas; a verdadeira amizade só pode ser desfrutada em um ambiente de total perdão e inocência. Isso torna Deus visível em sua vida.” (Hebreus 12:14 – MSB)
A jornada de Jesus e Suas obras tornaram o Pai visível. Agora, curados e santificados pelo fogo da Sua presença em nós, manifestamos Suas obras vivas, levando o mundo a ver Cristo através de nós.Sem essas obras vivas, ninguém verá o Senhor.
Retornando à reflexão inicial, quero que entendas: Jesus veio, principalmente, para que o Espírito Santo fosse derramado, e que, por meio do fogo, pudesse incendiar a todos.
Essa sempre foi a promessa do Pai:
“E acontecerá, depois, que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne…” (Joel 2:28–29)
Carrego comigo a convicção de que esse era — e ainda é — o maior desejo de Jesus: incendiar nossas vidas. Isso fica claro quando Ele declara:
“Eu vim para lançar fogo sobre a terra; e bem quisera que já estivesse a arder.” (Lucas 12:49)
Embora muitos comentaristas divirjam quanto à interpretação desse texto, caminho na certeza de que Jesus se refere ao fogo do Espírito Santo, expressando Seu profundo desejo de que Ele fosse derramado sobre todos.
Por isso afirmo: Jesus quer nos incendiar.
A promessa sempre foi a Presença de Deus conosco, e o fogo é uma de Suas expressões. Ele se revelou a Moisés como uma sarça ardente e ao povo no deserto como fogo no monte Sinai.
Sua presença, Seu poder e Sua revelação são como fogo que penetra o mais profundo do ser — basta lembrar o que os discípulos sentiram no caminho de Emaús.
Querido(a), fogo fala de algo que alcança o íntimo, que queima, que transforma. Não aponta para algo superficial, mas profundo. Algo que toca o coração e aquece o interior.
Poucas coisas conseguem penetrar o ferro, mas o fogo atinge o seu interior. Quando penso em fogo, vejo algo que se alastra, avança e dificilmente pode ser contido. Ele muda realidades.
O fogo coloca tudo em ebulição, em estado de incandescência, pronto para incendiar.
Quando Jesus fala disso em Lucas e em Atos, é como se estivesse dizendo: “Não vejo a hora de subir, para que o Fogo seja derramado.”
“Eis que envio sobre vós a promessa de meu Pai…” (Lucas 24:49)
“…mas vós sereis batizados com o Espírito Santo.” (Atos 1:4–5)
“Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo…” (Atos 1:8)
Não há como o evangelho se espalhar, transformar vidas e destruir fortalezas das trevas sem o fogo de Deus em nós.
É inconcebível pensar no verdadeiro evangelho de Cristo sem uma vida incendiada. Viver apagado, ou como uma luz pálida, é desonrar a obra de Cristo e o propósito pelo qual Ele sofreu.
O próprio Jesus adverte a igreja:
15 Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente! 16 Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca; Ap 3:15-16
Portanto, o anseio por esse fogo — cada vez mais vivo — precisa tomar todo o nosso ser, até que sejamos completamente incendiados.
Esse desejo por uma vida em chamas está totalmente alinhado com a vontade de Deus. Nada pode impedir isso, a não ser a falta de perseverança e de fé absoluta na certeza de que Ele deseja nos incendiar ainda mais do que nós mesmos.
Você já tem o Espírito Santo habitando em você. Agora, renda-se plenamente à Sua obra, permitindo que Ele incendeie tudo o que não procede de Cristo, tome sua vida para Si e faça de você um tição vivo em Suas mãos, preparado para queimar por onde o Senhor quiser conduzir.
Talvez o segredo esteja na ordem revelada pelo próprio Jesus:
“Permanecei, pois, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder.”(Lucas 24:49)
Permanecer… até.
Permanecer não é passividade, é obediência.
Ninguém permanece naquilo que não reconhece como necessário, essencial e fundamental.
Para os discípulos, isso não era opcional. Eles permaneceram porque Jesus havia falado. E está escrito:
“Todos estes perseveravam unânimes em oração.” (Atos 1:14)
O resultado não poderia ser outro:
“Ao cumprir-se o dia de Pentecostes… de repente, veio do céu um som… todos ficaram cheios do Espírito Santo.” (Atos 2:1–4)
O fogo não veio porque eles desejaram mais, mas porque a promessa se cumpriu exatamente como Jesus disse.
O Pentecostes não foi uma resposta ao esforço dos discípulos, foi o cumprimento da Palavra de Jesus e a evidência pública de que a obra estava concluída.
Jesus morreu, ressuscitou e foi glorificado para que hoje o Seu Espírito incendeie homens e mulheres comuns com a vida e o poder do Céu.
A fé na obra consumada não nos conduz ao fogo como quem busca merecê-lo, mas nos permite simplesmente recebê-lo, porque Cristo já foi glorificado.
"Exaltado, pois, à destra de Deus, tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vedes e ouvis". (Atos 2:33)
Pense nisso.
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