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Jesus quer nos Incendiar

Atualizado: 1 de fev.


 

João Batista traz uma declaração no evangelho de Lucas que, para mim, é extremamente importante:


“Disse João a todos: Eu, na verdade, vos batizo com água, mas vem o que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de desatar as correias das sandálias; Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo.” (Lucas 3:16)

Muitos olham para esse texto e, até mesmo em função do que é dito na sequência, afirmam que o fogo aqui se refere a juízo. Contudo, não encontro base sólida para essa interpretação, uma vez que Jesus veio não para destruir os homens, mas para salvá-los.


“Pois o Filho do Homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las.” (Lucas 9:56)

Quando falamos do fogo como purificação, isso faz total sentido. O fogo do Espírito vem acompanhado de Seu poder e produz purificação. Ele nos purifica.

Não há como alguém ser batizado com o Espírito Santo e com fogo e continuar o mesmo. A presença viva do Espírito gera transformação, queimando impurezas e conduzindo a uma vida santa, na qual os comportamentos passam a refletir essa santidade.


Creia: não são as obras que santificam; é a santidade recebida que produz obras santas.

Observe esta passagem:


“Esforçai-vos para viver em paz com todas as pessoas e em santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor.” (Hebreus 12:14 – KJA)

Por muitos anos, esse texto foi mal interpretado. Contudo, a revelação se expande dia após dia. O texto não está dizendo que devemos nos esforçar para nos tornar santos a fim de ver o Senhor, mas que, por meio de uma vida santa — fruto da presença d’Ele em nós — as pessoas verão Deus revelado através de nossas vidas.

Veja como essa verdade se amplia na Mirror Study Bible:


“Busque a paz com todas as pessoas; a verdadeira amizade só pode ser desfrutada em um ambiente de total perdão e inocência. Isso torna Deus visível em sua vida.” (Hebreus 12:14 – MSB)

A jornada de Jesus e Suas obras tornaram o Pai visível. Agora, curados e santificados pelo fogo da Sua presença em nós, manifestamos Suas obras vivas, levando o mundo a ver Cristo através de nós.Sem essas obras vivas, ninguém verá o Senhor.


Retornando à reflexão inicial, quero que entendas: Jesus veio, principalmente, para que o Espírito Santo fosse derramado, e que, por meio do fogo, pudesse incendiar a todos.

Essa sempre foi a promessa do Pai:


“E acontecerá, depois, que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne…” (Joel 2:28–29)

Carrego comigo a convicção de que esse era — e ainda é — o maior desejo de Jesus: incendiar nossas vidas. Isso fica claro quando Ele declara:


“Eu vim para lançar fogo sobre a terra; e bem quisera que já estivesse a arder.” (Lucas 12:49)

Embora muitos comentaristas divirjam quanto à interpretação desse texto, caminho na certeza de que Jesus se refere ao fogo do Espírito Santo, expressando Seu profundo desejo de que Ele fosse derramado sobre todos.


Por isso afirmo: Jesus quer nos incendiar.


A promessa sempre foi a Presença de Deus conosco, e o fogo é uma de Suas expressões. Ele se revelou a Moisés como uma sarça ardente e ao povo no deserto como fogo no monte Sinai.


Sua presença, Seu poder e Sua revelação são como fogo que penetra o mais profundo do ser — basta lembrar o que os discípulos sentiram no caminho de Emaús.


Querido(a), fogo fala de algo que alcança o íntimo, que queima, que transforma. Não aponta para algo superficial, mas profundo. Algo que toca o coração e aquece o interior.

Poucas coisas conseguem penetrar o ferro, mas o fogo atinge o seu interior. Quando penso em fogo, vejo algo que se alastra, avança e dificilmente pode ser contido. Ele muda realidades.

O fogo coloca tudo em ebulição, em estado de incandescência, pronto para incendiar.

Quando Jesus fala disso em Lucas e em Atos, é como se estivesse dizendo: “Não vejo a hora de subir, para que o Fogo seja derramado.”

 

“Eis que envio sobre vós a promessa de meu Pai…” (Lucas 24:49)
“…mas vós sereis batizados com o Espírito Santo.” (Atos 1:4–5)
“Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo…” (Atos 1:8)

Não há como o evangelho se espalhar, transformar vidas e destruir fortalezas das trevas sem o fogo de Deus em nós.

É inconcebível pensar no verdadeiro evangelho de Cristo sem uma vida incendiada. Viver apagado, ou como uma luz pálida, é desonrar a obra de Cristo e o propósito pelo qual Ele sofreu.

O próprio Jesus adverte a igreja:

 

15 Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente! 16 Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca; Ap 3:15-16

 

Portanto, o anseio por esse fogo — cada vez mais vivo — precisa tomar todo o nosso ser, até que sejamos completamente incendiados.

Esse desejo por uma vida em chamas está totalmente alinhado com a vontade de Deus. Nada pode impedir isso, a não ser a falta de perseverança e de fé absoluta na certeza de que Ele deseja nos incendiar ainda mais do que nós mesmos.


Você já tem o Espírito Santo habitando em você. Agora, renda-se plenamente à Sua obra, permitindo que Ele incendeie tudo o que não procede de Cristo, tome sua vida para Si e faça de você um tição vivo em Suas mãos, preparado para queimar por onde o Senhor quiser conduzir.

 

Talvez o segredo esteja na ordem revelada pelo próprio Jesus:

 

“Permanecei, pois, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder.”(Lucas 24:49)

 

Permanecer… até.

Permanecer não é passividade, é obediência.

Ninguém permanece naquilo que não reconhece como necessário, essencial e fundamental.

Para os discípulos, isso não era opcional. Eles permaneceram porque Jesus havia falado. E está escrito:

 

“Todos estes perseveravam unânimes em oração.” (Atos 1:14)

O resultado não poderia ser outro:


“Ao cumprir-se o dia de Pentecostes… de repente, veio do céu um som… todos ficaram cheios do Espírito Santo.” (Atos 2:1–4)

 

O fogo não veio porque eles desejaram mais, mas porque a promessa se cumpriu exatamente como Jesus disse.


O Pentecostes não foi uma resposta ao esforço dos discípulos, foi o cumprimento da Palavra de Jesus e a evidência pública de que a obra estava concluída.


Jesus morreu, ressuscitou e foi glorificado para que hoje o Seu Espírito incendeie homens e mulheres comuns com a vida e o poder do Céu.


A fé na obra consumada não nos conduz ao fogo como quem busca merecê-lo, mas nos permite simplesmente recebê-lo, porque Cristo já foi glorificado.


"Exaltado, pois, à destra de Deus, tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vedes e ouvis". (Atos 2:33)

 

Pense nisso.

 

 
 
 

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