Não sabendo ele como
- Alberto Carlos Macedo
- 29 de jan.
- 3 min de leitura
Atualizado: 27 de fev.

A mensagem central de Jesus era o Reino de Deus. Ele não veio estabelecer um novo sistema religioso, mas revelar e restaurar o governo do Pai aos Seus filhos.
Ao Pai aprouve entregar-nos o Reino. Isso não é apenas sublime — é glorioso, transformador e definitivo.
Por isso, muito do que Jesus ensinou dizia respeito a esse Reino e à forma como ele opera.
Está escrito:
“O reino de Deus é assim como um homem que lança a semente à terra; depois dorme e se levanta, de noite e de dia, e a semente germina e cresce, não sabendo ele como. E, quando o fruto já está maduro, logo se lhe mete a foice, porque é chegada a ceifa.”Evangelho de Marcos 4:26–29
Há algo profundamente revelador aqui: o Reino de Deus é comparado a um homem que realiza duas ações — lançar a semente e colher. Todo o restante, do invisível ao maduro, acontece fora do seu domínio.
E a Escritura enfatiza: “não sabendo ele como.”
Em Cristo Jesus, o Reino não está distante; fomos inseridos nele. Assim, segundo a analogia do Senhor, há uma semeadura. Semeamos quando concordamos com o que o Pai já estabeleceu em Cristo. Declaramos não para criar uma realidade, mas para dar voz à realidade que já procede da Fonte.
O “como” nunca nos pertenceu. E justamente aí que está a graça. O Reino opera no território que não controlamos. A seiva não começa no ramo; ela vem da Videira.
Tudo foi feito pela Palavra. Como revela o Evangelho de João 1, nada do que foi feito se fez sem o Verbo. Portanto, onde há Palavra que procede de Deus, há processo, há cumprimento e há destino — porque a Palavra é viva e carrega em si mesma o poder de realizar o que expressa.
José recebeu sonhos, testemunhou o que viu e guardou no coração. Não sabia como, mas aquilo que nasceu na intenção de Deus encontrou seu cumprimento no tempo certo.
Moisés falava ao Faraó o que o Senhor ordenava, e Deus confirmava Sua própria Palavra com sinais e manifestações. A autoridade não estava na voz do servo, mas no Deus que sustentava o que dizia.
O Reino se move pela vontade do Pai revelada no Filho. Quando ouvimos, cremos e concordamos com o que está escrito, tornamo-nos ambiente de manifestação. Não iniciamos o mover; participamos dele. Não criamos a promessa; concordamos com o Autor da promessa.
Maria compreendeu essa dinâmica gloriosa quando disse:
“Aqui está a serva do Senhor; que se cumpra em mim segundo a tua palavra.”Evangelho de Lucas 1:38
Ela não exigiu explicações; posicionou-se em concordância.
Jesus vivia assim: declarava aquilo que ouvia do Pai e seguia seu caminho. Ao falar com o cego, ao dirigir-se à figueira, Ele não demonstrava ansiedade pelo resultado. A manifestação vinha depois, porque Ele não agia independentemente — agia em perfeita unidade com o Pai.
Isso revela a postura segura do semeador: ele lança a semente e vai dormir.
Ele não vigia o solo, não força o crescimento, não manipula o processo. Ele descansa. Sabe que a terra produzirá, porque a vida está na semente.
Fé não é tensão por resultados. É descanso na fidelidade de Deus. É convicção interna antes da evidência externa. É permanecer unido Àquele em quem todas as promessas encontram o “Sim”.
Abraão, como declara Hebreus 11:19, considerou que Deus era poderoso até para ressuscitar Isaque dentre os mortos. Ele não sabia como, mas conhecia Quem havia prometido.
A fé não nos conduz à ansiedade, mas ao descanso da nossa união com Aquele que tudo pode.
Ainda que não saibamos como tudo se desenrolará, sabemos Quem sustenta a Palavra.
Porque:
• o Reino não falha
• a Palavra não volta vazia
• a semente carrega vida em si
Aquilo que procede da Fonte eterna encontra, em nós — unidos a Cristo — um ambiente de concordância para se manifestar.
A Fonte não depende de nós para existir, mas aprouve a Deus nos incluir como participantes da Sua obra.
Não damos ordens ao céu; concordamos com o céu. E quando há alinhamento entre o que o Pai estabeleceu e o que confessamos em fé, a terra começa a refletir o que já está vivo no Reino.
Por isso podemos afirmar, não com presunção, mas com descanso:
Não sei como, mas Aquele que prometeu é fiel para cumprir.
(Tirado do livro "Aos Seus Pés"
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